sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Brasil enfrenta o desafio de aproximar academia e setor empresarial.

Apesar de ampliar a produção científica consideravelmente nos últimos anos, o Brasil ainda tem um desafio: “aumentar a quantidade e a qualidade da conexão entre o setor acadêmico, científico e tecnológico e os setores empresariais e atender as demandas sociais”. Essa é a avaliação do Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (Setec/MCT), Ronaldo Mota, que continua no cargo compondo a equipe do ministro Aloizio Mercadante. Segundo ele, o cenário é propício para alcançar o objetivo. “Há concordância entre a atual e a antiga gestão do ministério quanto à necessidade de se priorizar a questão da inovação nas empresas e na sociedade”. 
O Brasil responde atualmente por 2,7% da produção científica mundial, tendo sua participação mundial dobrado entre 2000 e 2009. No mesmo período, o número de publicações aumentou 205%, atingindo 32 mil artigos indexados na base de dados National Science Indicators (NSI). Em 2008, o País alcançou a 13ª colocação no ranking mundial da produção científica.
Segundo Mota, esse significativo crescimento do sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) não reflete no nível de inovação esperado.  “Um percentual pequeno de nossas empresas gera produtos novos no mercado. Um número inexpressivo dos pesquisadores brasileiros atua em empresas. Essa situação decorre da falta de cultura de inovação no ambiente empresarial e de pouca articulação das políticas industrial e de C,T&I, apesar dos esforços recentes”, avalia.
Ações
O secretário cita como facilitador para mudar a atual realidade, o fato de o País já possuir uma linha mestra, tendo como base iniciativas como a implantação do Plano Nacional em Ciência, Tecnologia e Inovação (2007-2010), a aprovação da Lei de Inovação (em 2004) e da Lei do Bem (em 2005). O novo cenário permitiu às empresas utilizar um leque de instrumentos mais amplo e efetivo. 
“Nós criamos um marco regulatório muito interessante que estimula a inovação nas empresas. Então posso dizer, que do ponto de vista de incentivos, amparados por leis, nossa história começa, mais ou menos, em 2006. Então é uma história muito recente. No ínicio, nós tínhamos 130 empresas no Brasil que faziam uso de incentivos fiscais por apostarem em pesquisa e desenvolvimento e esse número passou agora para 635 empresas. Os valores investidos, que eram da ordem de dois bilhões, passaram para mais de oito bilhões”, informa.
O secretário também ressalta como é relevante a mobilização do setor empresarial. “As entidades empresariais, federações de indústrias, associações setoriais e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas empresas) abraçaram a causa de colocar a inovação na agenda das empresas nacionais e têm liderado iniciativas importantes nessa direção”. Com a parceria entre setor público e privado, a meta é ter, pelo menos, três mil empresas inovadoras no País até 2014. 
De acordo com Ronaldo Mota, é positivo se ter uma dimensão e complexidade, mas, apesar das conquistas, é preciso avançar ainda mais para que o Brasil figure entre as maiores potências do mundo, como planeja. Para isso, ele considera fundamental ter uma educação de qualidade, uma ciência e tecnologia que engendra inovação e que essa inovação impacte fortemente, fazendo com que os nossos produtos sejam competitivos no mercado nacional e no mercado internacional.
”Não é um desafio simples, isso está em curso, está sendo feito, mas para que o País tenha um desenvolvimento sustentável terá que ser feito num ritmo e num nível mais aprofundado do que nós temos hoje. Ele não será sustentável se não tiver ancorado na transferência de conhecimento ao setor produtivo. Essa é talvez a essência maior dos desafios que nós temos que enfrentar”, conclui.
Currículo
Ronaldo Mota é o atual secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Professor titular de física da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Mota é também presidente dos Comitês Gestores dos Fundos Setoriais de Energia e Mineral, presidente pro-tempore da Rede de Ciência e Tecnologia do Mercosul (RECyT), bacharel em física pela universidade de São Paulo (USP), mestre pela Universidade Federal da Bahia, doutor pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pós-doutor pela University of British Columbia, no Canadá, e pela University of Utah, nos Estados Unidos.

Fonte: MCT 11/02/2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mercadante quer aperfeiçoar mecanismos de incentivo à pesquisa e à inovação

Aperfeiçoar os programas de incentivo à isenção fiscal. Desde que assumiu o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Aloizio Mercadante tem reforçado essa ideia. A pasta já conta com os benefícios oferecidos pela Lei do Bem e o ministro pretende aprimorar ainda mais as políticas de incentivo à pesquisa e à inovação.
A Lei do Bem (11.196/05) oferece incentivos fiscais às empresas que realizam pesquisas tecnológicas e de inovação, no entanto, Mercadante acredita que o sistema ainda pode ser melhorado. Para isso, estão em discussão no Congresso Nacional os mecanismos para expansão da Lei e o ministro pretende ainda avançar esses incentivos para ganhar mais autonomia nos setores da indústria, aviação e automotiva.
Para se utilizar da lei, é necessário instalar na empresa um programa de inovação com projetos eficazes. As empresas grandes chegam a desenvolver 400 projetos de inovação por ano. Na lista de beneficiárias, há empresas de setores e portes variados, desde uma pequena fábrica de calçados até gigantes como Ambev e Alcoa. Do setor de serviços, um exemplo é a Contax, do segmento de call center. Especialistas explicam que a crise mundial é uma oportunidade para instalar processos de inovação nas empresas, frente à necessidade de atrair e reter clientes e de reduzir custos.
No primeiro ano da Lei, em 2006, o número de empresas beneficiadas por incentivos fiscais era 130. Em 2009, esse número saltou para 542 empresas, ou seja, 317% a mais em relação a 2006. Ao se somar o número de beneficiárias da Lei do Bem nas regiões Sudeste e Sul para cada ano, é observado que essas empresas correspondem a mais de 92% do total de empresas beneficiadas em todos os 4 anos.

Isso se justifica em razão do maior desenvolvimento industrial dessas regiões, que, por sua vez, apresentam maior capacidade de se apropriar dos benefícios. O investimento em Pesquisa e Desenvolvimento das empresas que se beneficiaram da Lei do Bem evoluiu de 2,1 bilhões, em 2006, para 8,3 bilhões, em 2009, quase quadruplicando nesses quatro anos. Dos recursos investidos em 2009, foram aplicados R$ 0,21 bilhão em bens de capital e R$ 8,33 bilhões em despesas operacionais de custeio. 
A distribuição regional desses recursos confirma as melhores condições apresentadas pela região Sudeste na utilização dos incentivos, respondendo por 95% dos recursos aplicados em P&D.


Fonte: MCT 08/02/2011.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Aberta inscrição para nova edição do programa de inovação entre Brasil e França.

Está aberta a inscrição para a nova edição do Programa Oseo/Finep, que seleciona projetos de inovação desenvolvidos em parceria por empresas brasileiras e francesas. O Acordo de Cooperação Tecnológica, assinado pelos dois países em 7 de maio de 2009, prevê que o Programa tenha duração inicial de cinco anos. A Oseo é a agência de inovação da França, equivalente à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) no Brasil.
Até 20 de setembro de 2011, a Finep e a Oseo recebem propostas de P, D & I que envolvam tecnologias aplicáveis a qualquer área do conhecimento, desenvolvidas sob a coordenação de empresas do Brasil e da França.
Os projetos devem ser complementares e capitaneados por uma empresa nacional e uma francesa. As propostas devem ser apresentadas às duas agências – escrita em francês para a Oseo e em português para a Finep.
Na fase 1, a empresa nacional que compõe esta parceria tem de apresentar à Finep o formulário eletrônico preenchido com os dados do futuro projeto e com informações sobre as condições de formalização do Termo de Parceria Técnica.
As propostas devem contemplar o desenvolvimento de produtos inovadores que atendam a uma necessidade imediata do mercado. Centros de pesquisas, universidades e empresas de outros países poderão integrar o projeto na qualidade de participantes, excluída a possibilidade de figurarem como proponentes do projeto.
Na fase 2, as empresas que tiverem propostas selecionadas devem apresentar projetos de acordo com as cláusulas e condições apresentadas anteriormente, juntamente com cópia do Termo de Parceria Técnica celebrado nas condições apresentadas na Fase 1. Cada proposta de projeto será analisada de acordo com a legislação, regulamentos e procedimentos vigentes no país em que se localiza a sede da empresa proponente.
No caso das empresas francesas, serão elegíveis aquelas que tiverem um quadro consolidado inferior a dois mil empregados (caso o projeto esteja inserido no Programa Estratégico de Inovação Industrial, o total deve ser inferior a cinco mil empregados). No caso das empresas brasileiras, serão elegíveis aquelas cuja receita auferida em 2009 tenha sido inferior a R$ 300 milhões.
A aplicação dos recursos a serem desembolsados pela Finep se dará exclusivamente para despesas relacionadas à parte brasileira dos projetos
Oseo
A Oseo Inovação é a principal fonte de ajuda a pequenas e médias empresas inovadoras na França, tendo apoiado cerca de cinco mil delas em 2008, com aportes de  800 milhões de euros. A França tem hoje mais da metade de seus pesquisadores trabalhando no setor privado - 56% - e, de seus gastos com P&D, 63% são feitos por empresas, que têm fortes incentivos fiscais. O país ocupa hoje o 2º lugar na Europa e o 5º mundial em termos de depósitos de patentes.
A Finep é uma empresa pública ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Há 32 anos apoia projetos de inovação de empresas de todos os portes e instituições de ensino e pesquisa brasileiros, oferecendo recursos reembolsáveis com taxas diferenciadas e não-reembolsáveis (que não precisam ser devolvidos) por meio de editais.

Informações retiradas de http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/328037.html

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Jeans usa tecnologia espacial para proteger motociclistas

Cair de moto e esfolar-se todo não parece ser o cenário mais provável para o nascimento de um novo negócio.
Mas foi isto o que aconteceu com o francês Pierre-Henry Servajean.
"Eu percebi que tudo que eu tinha no corpo era perfeito - meu capacete, luvas, casaco - exceto o jeans. Eu tinha equipamentos de segurança apropriados para cada parte do meu corpo, exceto para as minhas pernas," conta ele.
Fibra espacial
Depois de uma pesquisa, o motociclista empreendedor descobriu que 75% dos seus colegas usam jeans em seus passeios de moto.
Um pouco mais de pesquisa e ele descobriu uma fibra chamada UHMWPE, que foi utilizada pela Agência Espacial Europeia (ESA) em 2007 para testar um conceito chamado "correio espacial".
UHMWPE é uma sigla para Ultra High Molecular Weight Polyethylene - polietileno de peso molecular ultra elevado -, uma forma especial do conhecido polietileno, só que duas vezes mais forte do que o Kevlar®, e de 10 a 100 vezes mais resistente do que o aço.
Super jeans
Ao misturar as fibras do jeans comum com algumas fibras do polietileno espacial, Pierre-Henry conseguiu um tecido que combina as qualidades do jeans com a extrema resistência do novo material, produzindo uma roupa muito forte e que, ao contrário de outras soluções sintéticas, deixa a pele respirar.
No núcleo do tecido, o algodão é substituído pelas fibras de UHMWPE. No caso de um acidente, somente a camada externa do jeans se rasga, e a pele do motociclista não é atingida.
Pierre-Henry, que garante que o super jeans é uma combinação perfeita de conforto, durabilidade e resistência à abrasão, fundou uma empresa para comercializar sua ideia, em mais um exemplo da conversão das tecnologias espaciais em produtos de uso no dia-a-dia.
Para demonstrar a força do tecido e divulgar seu produto, Pierre-Henry lançou uma campanha publicitária que mostrou um jipe Hummer de 2700 kg sendo erguido com duas calças do super jeans.

Texto retirado do site:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=super-jeans-tecnologia-espacial-motociclistas&id=010160110105

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ministro da C&T inaugurou laboratório do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas

O Rio de Janeiro ganhou o seu primeiro laboratório de nanociência e nanotecnologia totalmente aberto aos grupos de pesquisa de todo o País, o Labnano. Instalado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT), o Laboratório foi inaugurado no dia 10 pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. O local vai impulsionar as pesquisas na área de materiais nanoestruturados e dará ênfase à produção de estruturas em escala nanométrica, tais como sensores com ampla gama de aplicações, desde imageamento térmico até sistemas lab-on-chip para diagnósticos médicos.
As decisões estratégicas relacionadas à implementação e ao gerenciamento do Labnano estão a cargo de um comitê gestor.
Os investimentos para montagem do Labnano somam cerca de R$ 7 milhões e financiaram, além da obra civil, uma sofisticada infraestrutura de nanofabricação e caracterização de amostras, que conta com microscópio eletrônico de transmissão de alta resolução, sistema de nanolitografia por feixe de elétrons RAITH e_LINE, microscópio eletrônico de varredura com sistema de espectroscopia por dispersão de Raios X, além de outros recursos integrados.
A equipe de especialistas do CBPF estima que o Labnano atenda a pelo menos 100 projetos de pesquisa por ano.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Panorama da ciência no Brasil e no mundo


11/11/2010
Por Fábio de Castro, de Brasília
Agência FAPESP – A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou nesta quarta-feira (10/11), em Brasília e em Paris, simultaneamente, o Relatório Unesco sobre Ciência 2010. A data corresponde ao Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento.
O documento é editado a cada cinco anos para apresentar um diagnóstico do desenvolvimento mundial da ciência. No Brasil, o lançamento ocorreu em audiência pública no Senado Federal, em evento proposto pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que preside a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado e ressaltou o fato de o estudo dar destaque ao Brasil.
O país foi o único da América do Sul a ser contemplado com um capítulo exclusivo, de autoria de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Hernan Chaimovich, coordenador dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP e professor da Universidade de São Paulo (USP).
Além de Brito Cruz e de Ribeiro, participaram da audiência Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil, Jailson Bittencourt de Andrade, representando a Academia Brasileira de Ciência (ABC), e Roosevelt Tomé Filho, secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social.
De acordo com Defourny, o relatório apresenta análises extensas sobre a evolução da ciência e tecnologia por regiões no mundo e destaca alguns países que apresentam características de evolução de políticas ou de investimentos que podem se tornar exemplares no contexto global.
“O relatório mostra que, ao lado da clássica tríade que sempre se destaca na ciência e tecnologia – Estados Unidos, Japão e União Europeia –, há a crescente importância de países emergentes como a Coreia do Sul, a India e a China. E também o Brasil, que aparece ainda de forma modesta, mas com um papel que lhe permite crescer e avançar”, disse Defourny à Agência FAPESP.
Segundo ele, no caso do Brasil, os números indicam grande evolução recente no setor, mas uma relativa estagnação nos últimos anos. “O país desenvolveu uma base acadêmica competitiva em ciências, mas há ainda uma série de desafios. A taxa de crescimento no número de doutores, por exemplo, foi de 15% ao ano por muito tempo. Nos últimos três anos, o crescimento continuou, mas foi de apenas 5% por ano. É um sinal de estagnação. Será uma tarefa do novo governo federal olhar para esses dados de forma muito detalhada”, afirmou.
Um dos problemas diagnosticados pelo relatório no país é a falta de investimento no setor por parte do governo e, especialmente, das empresas privadas. “A pesquisa e desenvolvimento na indústria precisa receber uma atenção maior até mesmo do que a pesquisa acadêmica”, disse.
O relatório indica que o investimento em ciência no Brasil deriva principalmente do setor público: 55%. O país está abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na relação entre o investimento bruto em pesquisa e desenvolvimento (GERD, em inglês) e o produto interno bruto (PIB) do país.
Para alcançar a média da OCDE de financiamento público à pesquisa e desenvolvimento (P&D), o Brasil precisaria investir um adicional de R$ 3,3 bilhões ao ano, montante que corresponde a três vezes o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Nos gastos empresariais com P&D, a média dos países membros da OCDE é o triplo da encontrada no Brasil. Para igualar esse patamar, seria preciso aumentar os gastos privados no setor de US$ 9,95 bilhões ao ano para US$ 33 bilhões.
O desafio, de acordo com o capítulo produzido por Brito Cruz e Chaimovich, pede instrumentos de políticas públicas muito mais efetivos que os empregados até agora pelo Estado Brasileiro. Segundo Brito Cruz, além de reiterar a grande desigualdade regional na produção de ciências no Brasil, o relatório destacou a necessidade de uma melhor articulação entre as iniciativas federais e estaduais.
“Uma articulação entre políticas federais e estaduais não se resume a transferir recursos da União para os estados. É essencial, por exemplo, que os estados participem diretamente da produção de indicadores de ciência e tecnologia. Precisamos de uma política nacional de ciência, tecnologia e inovação, e não de uma política federal desconectada dos estados”, disse à Agência FAPESP.
O relatório da Unesco revela um mapa no qual é possível comparar, periodicamente, o desempenho das várias regiões do mundo em ciência e tecnologia e avaliar suas políticas. Trata-se de um exemplo de como o Brasil deveria mapear o desempenho em suas regiões, de acordo com Brito Cruz.
“São Paulo tem feito isso, mas não temos os dados do Brasil para diagnosticar o que ocorre nos vários estados, para fazer comparações e para pensar em soluções integradas. Sem isso, fazemos um voo cego. A Unesco está dando um ótimo exemplo”, disse.
Menos cientistas em empresas
Entre as principais preocupações manifestadas por Brito Cruz em relação aos diagnósticos incluídos no relatório está o fato de a mais recente Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ter mostrado que o número de pesquisadores que trabalham em empresas no Brasil diminuiu entre 2005 e 2008.
“Isso é algo que deve nos preocupar muito, porque toda a estratégia e as políticas são feitas para levar mais pesquisadores para a empresa e esse número nem sequer ficou constante: diminuiu em 10% no período. É um problema que precisa ser bem entendido. Precisamos ter esses indicadores com frequência para podermos realimentar as políticas públicas”, destacou. O número de pesquisadores em empresas era de 35 mil em 2000, passou a 40 mil em 2003, 50 mil em 2005 e caiu para 45 mil em 2008.
Para Brito Cruz, houve evoluções importantes no setor no Brasil, mas não basta observar que os indicadores de resultados estão crescendo. “É preciso saber se estão crescendo em relação ao resto do mundo, com quem o país compete”, afirmou.
“A Coreia do Sul edita esse tipo de dados a cada três meses. No Brasil, depois de três anos descobrimos que há menos pesquisadores em empresas. Com tantas políticas, como isso está acontecendo? É preciso entender. Foi identificado o problema e pode haver uma explicação, mas não sabemos qual é. Trata-se de um alerta para nos perguntarmos que resultados essas políticas estão trazendo”, disse.
Outra preocupação, segundo Brito Cruz, é que, apesar da necessidade de formar mais recursos humanos, nas universidades federais o número de concluintes deixou de crescer desde 2004.
“Em 2008 houve menos concluintes do que em 2004. As federais têm uma importante qualidade acadêmica no Brasil, ainda que com heterogeneidade. Precisamos recuperar o crescimento desse sistema”, disse.